Onderwerp : [Etc-br] texto /etc-br

Auteur : tati
E-mail : tatiw op riseup.net
Datum : Ma Apr 23 02:38:31 CEST 2007


meninas, fui começar a escrever um texto sobre o /etc-br e saiu um assim 
apaixonado... por favor, copylefteiam-no, editem, contestem, 
contribuam..! coloquem o que eh o /etc para você! ;)

fabs e nah, seria bacana algumas linhas sobre a metodologia que 
sugeriram: programação no wiki, grupos pequenos e convergência no final 
do dia. tô trabalhando tb numa capinha para o nosso site.. imagens, 
desenhos e ícones de navegação são mais do que bem-vindos!!

x beijocas!
t


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/etc-br

O Carnaval Eclético Tech é um encontro-convergência de mulheres que 
estão pensando, experimentando e se apropriando criticamente das 
tecnologias de mídia. Tendo como foco a questão de gênero ou 
co-laborando com grupos constituidos de mulheres, outras vezes mistos 
(meninos e meninas), pretendemos provocar uma experiência-espaço-tempo 
de ação horizontal e coletiva. Organizando-nos por afinidades e o desejo 
de aprendizado mútuo, mais do que identidades, vamos mexer em 
computadores, ferramentas e programas livres para expressar nossa 
individualidade e nosso agrupamento. Com paciência e carinho, é claro.

Assim como o encontro internacional /etc, o /etc-br é exclusivamente 
composto por mulheres, partindo de um entendimento de que ainda são 
necessários espaços seguros e de liberdade plena para todos os tipos de 
assunto que possam parecer temerários ou superflúos em um outro 
ambiente. Este é portanto um espaço para a pergunta, a curiosidade, para 
a construção e a desconstrução de objetos e conceitos. Com o 
conhecimento tecnológico constituido como um conhecimento de pares, 
conhecimento do corpo e de nossa sociedade e cultura, enfrentaremos 
então o mundo em disputa lá fora. Esse método pode ser considerado uma 
tática de inclusão.

Isso é particularmente relevante quando estudos divulgados no site da 
Sociedade Brasileira de Computação apontam que o número pequeno de 
mulheres que ingressam na área de Ciências da Computação, hoje está 
ficando ainda menor, ou seja, ocorre uma debandada feminina da área.1 
Durante o último Fórum do Software Livre em Porto Alegre (abril de 
2007)2, só houve 1 apresentação do tema gênero, ao lado de 479 propostas 
técnicas e comunitárias de outros 27 países. Nenhuma brasileira! Fato 
que coloca em perspectiva o quão libertária é de fato a própria cultura 
do software livre.

A situação não-coincidentemente é a mesma, em todos os campos que 
controlam o poder formal, artificialmente construido.

Mas nossa estratégia não é ingressar nestes espaços, queremos na verdade 
o contrário, nos des-especializando, procuramos ao mesmo tempo brincar e 
politizar as novas tecnologias. Não queremos erguê-las à condição 
idiossincrática geradora da disperão ou união da mulher com a máquina, 
queremos vestí-las comunalmente, artisticamente, criticamente, sabendo 
que desde sempre estivemos conectadas umbilicalmente à supermáquina 
Capitalista. Vamos desmascará-la!

E queremos fazer isso de dentro de nossas casas, aonde fomos 
inicialmente re-legadas. Retomamos os espaços íntimos! Ao mesmo tempo 
que nos assumimos como ciborgues e mães, teletrabalhando como 
formiguinhas. Uma vez retalhadas – escravas, putas, domésticas, gostosas 
- nos vemos múltiplas e paralelas, agora juntas. Retomamos os espaços 
públicos! Há quem acredite que há inteligência no formigueiro tanto 
quanto na sincronicidade da formiga. Entramos aqui em simbiose com o 
sistema, de onde não há volta possível. Vamos celebrar o feminismo, 
retomemos a tecnologia!

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1“Segundo levantamento preliminar realizado pela SBC, na pós-graduação 
em Ciência da Computação, atualmente cerca de 25% dos estudantes são 
mulheres. O número de professoras varia entre 25% e 30%. Na graduação, 
dados do Ministério da Cultura (MEC) mostram que a participação feminina 
baixou de 30%, há 15 anos, para 5% a 10%. Segundo o MEC, o número de 
mulheres que concluiu a graduação em Ciência e Engenharia da Computação 
em 2004 foi de 3.049 de um total de 13.606 estudantes.” (site da FAPESP 
-> http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?id=6583)