Onderwerp : [Etc-br] [Fwd: [crisinterna] carta para etceterísticas]

Auteur : tai op riseup.net
E-mail : tai op riseup.net
Datum : Vr Mrt 16 00:56:20 CET 2007


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Subject: [crisinterna] carta para etceterísticas
From:    "anonima" <anonim op riseup.net>
Date:    Tue, March 13, 2007 4:28 pm
To:      crisinterna op lists.riseup.net
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genten, estou enaminhando a carta que a k-tai e eu escrevemos pra mandar
pras minas do etc. e tal... era legal dar aquela olhadela, comentar,
modificar, coisa e tal!


Oi etceterísticas!

Ontem teve reunião do coletivo corpus crisis. Uma reunião que estava mais
ou menos marcada e mais ou menos confirmada, mas acabou rolando, no nosso
estilo mais clássico: por acaso.

Conversamos sobre o /etc-br e surgiu a vontade de, junto com esse
e-mail, esclarecer pros outros grupos e pessoas envolvidas com o /etc
algumas coisas sobre a forma como a gente se organiza. Inclusive, fica a
sugestão pros outros coletivos se apresentarem também!

O coletivo, carinhosamente KK, costuma ter problemas de definição,
inclusive, por desconfiar que definições muito encaixotadas amarram nossas
pernas. Mas, como as pessoas perguntam, a gente costuma dizer que somos um
coletivo autônomo feminista de atuação cotidiana e metodologia
precária. Fazemos coisas com desejos anti-capitalistas e anti-machistas de
uma maneira lúdica, atentas para mecanismos de exploração e repressão que,
junt op s, não queremos reproduzir, mas mina-los. Em certas situações, parece
que não reproduzir certas coisas de maneira automática já consiste uma
forma de sabotagem... em outras, a gente precisa gritar mais alto.

E no grupo existe espaço pra vários projetos e vontades. É um grupo
pequeno e sobretudo de pessoas que se gostam muito. Assim, se
o Felipe estiver pilhando na rádio, massa! Ele vai lá e faz, e quem quiser
colar, cola. É claro que alguns projetos mobilizam mais gente. O retome,
por exemplo, que a ianni pilhou mais no começo, acabou contagiando
todas e
fizemos o retome as noites que envolveu também outros grupos aqui do DF.

Em relação ao /etc-br, a Tai pilha mais, mas o coletivo todo acha
a idéia interessante, principalmente no sentido de estarmos dialogando e
conhecendo outros coletivos e pessoas bacanas... mas sendo bem realistas
(trabalhando com nossas próprias pernas) e olhando nosso calendário para
2007, sabemos que vai ser difícil o corpus crisis pilhar geral no /etc:
até junho todas as nossas forças estão
voltadas para a preparação do encontro corpus crisis (talvez o único
projeto que mobilize todo o coletivo) e fora isso algumas pessoas estarão
levando a rádio e preparando o BREGA (o terceiro encontro de grupos
autônomos no DF). Depois de junho geralmente rola um cansaço geral, mas
virão os corres do pornós, um outro coletivo (discussão sobre
pornografia hegemônica e produção de outra, mais do contra) que envolve
quase todo mundo do corpus crisis e que está
preparando um festival para setembro em sampa.

Enfim, a gente quer estar por perto, a Tai vai trazer as
notícias enquanto der pra ela e ajudando de forma meio capenga mesmo. Por
enquanto, pensando na discussão sobre princípios e formas de trabalho,
preparamos o seguinte:

A forma precária de organização, como costumamos chamar, é a maneira do
coletivo de estar sempre disposta a questionar nossa implicância nas
coisas que a gente critica e, ainda, de combinar uma organização
descentralizada (ou seja, organizada em outros termos, que envolve um
gasto enorme de energia, inclusive afetivo, nas decisões de preferência
por consenso) com  trabalho livre (não pago, nas horas vagas e que envolve
prazer necessário). São princípios contrários aos
dispositivos capitalistas mais amplos e essa combinação, dentre as
possibilidade de se organizar autonomamente, é, para nós atualmente, a
tática mais hábil de dissidência cotidiana. Aliás, a existência de pessoas
que trabalham em coisas que acreditam independente de um ganho material
mensurável e convertido em dinheiro abala as estruturas da forma de
organização, adminitração e governo da economia capitalista. Mais que
independentes, nesse caso, a mágica do trabalho livre acontece, enquanto
dissidência, enquanto não envolver grana do meio. trata-se de uma
reconceitualização prática do trabalho e riqueza, despidas de sua
compreensão burguesa estúpida de trabalho alienado e obediente e uma outra
forma de produção, onde nossas mãos, entre outras partes do corpo, não
estão a venda, poxa, que seja livre, não liberal, mas libertária,
horizontal e compartilhada ou como diriamos por aqui: abaixo a à esquerda,
precária à deriva!